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Agente cultural do Paraná produz jogo educativo sobre tropeirismo
Com objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o Tropeirismo, Silvestre Alves Gomes elaborou um jogo educativo para ilustrar como aconteceu essa atividade econômica e histórica no Brasil. Silvestre é professor, músico, palestrante e pesquisador do tema. O jogo consiste em percorrer um tabuleiro, que representa o mapa do “Caminho das Tropas”, onde estão sinalizadas as paradas, isto é, os pousos que hoje são cidades nas rotas dos tropeiros.
As partidas, que podem ser jogadas em grupos a partir de duas pessoas, devem iniciar em Viamão ou Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, e seguir rumo às feiras de animais em Sorocaba – SP. Os jogadores devem evitar perder animais no caminho para chegarem ao destino com o maior número possível de animais, que são representados por fichas verdes (dezenas) e fichas amarelas (unidades).
Em cada rodada, os jogadores podem se deparar com obstáculos naturais, como rios caudalosos, fenômenos da natureza, animais peçonhentos e até feras como onças pintadas, além dos “entreveros” que eram confusões de animais entre tropas que se aproximavam umas das outras. Essas ocorrências estão representadas nas cartas em forma de “monte” que os jogadores “compram” na vez de jogar e avançar o peão no tabuleiro. Para cada “carta problema” há uma “carta de solução” correspondente.
Quando o jogador não possui a carta solução para superar o problema, poderá contar ou não com a ajuda de um adversário, dependendo de quantas fichas serão cobradas pela solução do problema. Esse é o momento de traçar estratégia de jogo e também de colaboração entre os jogadores. Essas negociações ou troca de favores, representam a realidade no mundo dos tropeiros, que precisavam uns dos outros para a sobrevivência, para terem sucesso na preservação dos animais, e na vida social e econômica, por onde passavam ou permaneciam por algum tempo em campos de pastagem.
As cartas “informação” trazem imagens para ensinamentos sobre alguns objetos comuns dos tropeiros: botas, chapéus, poncho, pala… Trazem também imagens da cangalha, um conjunto de peças de madeira e couro colocada sobre o animal para a acomodação da carga. Lendas da época, como a do saci e da mula sem cabeça, também estão sugeridas nas cartas, para mostrar as crenças e crendices dos tropeiros, surpreendendo os jogadores e alterando previsões e estratégias de jogo..
O projeto “Tropeirismo: Caminhos do Saber” é uma produção ABC Projetos Culturais e foi premiado no edital 007/2022 do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Profice), o qual contemplou projetos artístico-culturais que tinham como objetivos promover e difundir o patrimônio cultural e imaterial do Paraná. Além da produção do jogo, o projeto irá passar em cidades paranaenses com oficinas, apresentações de músicas autorais do idealizador do projeto, além de realizar um seminário regional de Tropeirismo em Castro.
As oficinas serão realizadas para alunos do 5° ano do ensino fundamental em 10 municípios, sendo eles: Castro, Piraí do Sul, São Mateus do Sul, Imbituva, Jaguariaíva, Lapa, Palmas, Palmeira, Telêmaco Borba e União da Vitória. A escolha dos municípios deu-se por terem feito parte da rota dos tropeiros e por se enquadrarem na faixa populacional na qual foi inscrito o projeto. Nas oficinas, os alunos terão a oportunidade de jogar e aprender sobre História e Geografia, numa versão gigante do tabuleiro do Jogo do Tropeiro, além de acompanhar o canto do repertório musical incluído no projeto.
Foto: Divulgação